16 de março de 2009

"A Guerra" - Joaquim Furtado

O MPLA pede a Che Guevara um instrutor que seja "negrito", Guevara promete mandar um "bom negrito", esse bom negrito "transformou-se em seis". Na FNLA, Jonas Savimbi sai em ruptura com o líder Holden Roberto. E os colonos portugueses entram em choque com os soldados.Três momentos da frente angolana no episódio de A Guerra que marca o regresso da série de Joaquim Furtado, hoje, na RTP, às 21h30. Este 10º episódio vai de 1964 a 1965, o ano em que a PIDE assassina Humberto Delgado e Salazar declara os portugueses "orgulhosamente sós". Além de Angola, mostra o que está a acontecer em Moçambique: avanço da guerrilha da Frelimo, primeira grande operação anti-guerrilha e aparecimento de milícias ligadas a Jorge Jardim."É uma continuação, não uma série nova", ressalva Joaquim Furtado, sentado no estúdio da RTP onde passa os seus dias.
Em 2007 foram exibidos os primeiros nove episódios (1961-64), agora passam mais nove (1964-70), mas haverá uma terceira parte (1970-74), e é nessa que o jornalista está a trabalhar. "Há anos que a minha vida é isto." Joaquim Furtado - que anunciou a revolução portuguesa, ao ler na rádio o comunicado do Movimento das Forças Armadas - começou a investigar em 2000 para A Guerra. Com um intervalo de dois anos, dedicou já sete a este trabalho, entretanto distinguido com o Prémio Gazeta. O resultado ficará como um dos mais importantes documentários televisivos em Portugal. É História sem deixar de ser jornalismo - e "ainda não é só História, é política", crê Furtado, "porque muitas pessoas estão vivas e têm responsabilidades políticas". Isso é "estimulante", tal como o facto de muitos dos que viveram a guerra poderem reagir e contribuir. Foi o que aconteceu quando a primeira parte foi para o ar. "Houve vários contactos de pessoas a disponibilizarem-se para falar por se sentirem estimuladas a dizer o que antes evitavam", conta. "Logo a seguir ao 25 de Abril os milhares de combatentes que tinham estado na guerra ficaram fora da agenda, não havia tempo para estar a pensar naquilo. E passados 30 anos já há espaço.
A série pode ter tido esse efeito: se outros falam eu também posso falar."A partir do momento em que a série estreou, Joaquim Furtado começou a ser convidado para debates pelo país, e lembra-se de haver na assistência quem se levantasse a dizer: "Estou a falar disto em público pela primeira vez."O tempo e o espaço que houve para o programa terão ajudado a essa confiança, crê o autor: "Faz-se pouca coisa sobre a guerra e aqui parecia haver outro fôlego. Admito que algumas pessoas tenham pensado que talvez valesse a pena."A primeira parte tem nove horas, esta segunda 11, ou seja, 20 horas de emissão em prime time, súmula de centenas e centenas de horas em bruto, algo que será inédito no documentário português - e falta um terço, que Joaquim Furtado gostaria de pôr no ar ainda este ano. A ambição deste projecto implicou procurar milhares de filmes em arquivos espalhados pelo mundo, visioná-los e anotá-los; fazer dezenas de entrevistas em estúdio e in loco; ir a Angola, Moçambique, Guiné (as três frentes da guerra) e Cabo Verde; identificar e datar cada pessoa e cada acontecimento; construir dezenas de mapas com diferentes escalas; recriar acontecimentos com desenhos e a três dimensões; escrever, montar, sonorizar - tudo o que já se pôde ver na primeira parte, e até um fado composto por um ex-combatente, que Joaquim Furtado levou a estúdio com os instrumentistas. "Então e a série?""A minha atitude tem sido a de tentar conquistar o tempo necessário", resume Furtado, que muitas vezes, ao longo de anos, teve de responder à expectativa: "Então e a série?" Porque é raro que um jornalista possa - ou saiba - estar tanto tempo na sombra, a construir algo que irá muito além da espuma dos dias. E que, depois, em vez de apressar a feitura de todos os episódios para que eles passassem seguidos, optou por emitir nove, deixando os próximos para quando estivessem prontos. "Não fiz uma coisa diferente por causa das pessoas que entretanto apareceram, mas foi bom ter ido para o ar uma primeira parte, porque acabou por trazer algo.
Isto é uma espécie de obra aberta, e enquanto for a tempo procurarei incorporar tudo."Hoje, está em Julho de 1970, "algures a meio da Operação Nó ", no planalto dos Macondes", Moçambique. E Sérgio Alexandre, editor de pós-produção vídeo, monta planos entre dois ecrãs de computador."Não há repetição de planos na série, apesar da dificuldade de filmes", explica Joaquim Furtado. "Também não há sonoplastia criativa, utilizo o que é requisitado pelo próprio filme." Nem "a utilização indiscriminada de imagens". Ou seja, não há imagens de Angola quando se está a falar da Guiné, ou vice-versa. "Tento que as imagens correspondam ao que estou a narrar, e naquele tempo. Porque os fardamentos de 1961 não são os de 1967." Mas "se há um problema a contornar é a falta de imagens". Tantas e tão ricas, não repetidas, são as imagens ao longo da primeira série que o espectador é levado a pensar o contrário. Incursões em picadas, atravessamento de rios, despojos de combates e massacres. Campos, aldeias e cidades nas três colónias. O Terreiro do Paço cheio de povo instado a gritar "Angola!... É Nossa!". Os navios carregados de mais soldados, os colonos a armarem-se e os guerrilheiros a treinarem no Congo ou na Argélia. A vida em Luanda, em Lourenço Marques, em Bissau. O regime a pôr e dispor de ministros e governadores. Kennedy lá fora a pressionar. O fim do colonialismo pelo mundo."Eu quero contar a guerra e as suas circunstâncias, a actividade geral humana, o fresco do que era, de como as pessoas viviam", resume Joaquim Furtado.
Há muito menos imagens do lado da guerrilha, porque a televisão pública só acompanhava as tropas portuguesas - falando sempre em "terroristas" e em "nossa pátria". "São poucas as reportagens de guerra. Há imagens dos Serviços Cartográficos do Exército, utilizadas para propaganda, e alguns filmes estrangeiros."Essa busca tem episódios rocambolescos, como um filme que apareceu na Rússia e prometia revelações, mas quando chegou tinha restos de Brad Pitt. "Continuo à procura. Neste momento tenho umas imagens sobre a Operação Nó , cuja existência descobri num relatório. São um olhar diferente."Por vezes, pode ser uma nota num papel, que fala de uma equipa de televisão que esteve ali. Então, Joaquim Furtado vai à procura dessa equipa, porque supostamente terá filmado algo. E isto pode dar nada, muitas vezes. Mas outras vezes recompensa, tal como as entrevistas com os protagonistas que Furtado ouviu, dando-lhes todo o palco, em entrevistas muito preparadas previamente para o tempo de registo ser o mais revelador possível, e sem que o entrevistador sequer apareça - de caçadores profissionais a chefes de posto colonial, de generais a desertores, de ex-ministros a futuros presidentes (entretanto mortos, como Nino Vieira).E depois há os que estiveram no centro dos acontecimentos, e por isso mesmo não quiseram falar. "Ainda há quem ache que não passou tempo suficiente, como há gente que contou coisas que nunca tinha contado e gente que jamais contará algumas coisas."Um dos tabus quebrados é o uso de napalm. "Nesta série, isso foi assumido, vários oficiais falaram disso." A dizerem claramente "eu usei napalm" nesta ou naquela circunstância. "Deixou de ser uma ambiguidade." Mas Furtado não estava apenas concentrado na novidade: "Claro que o primeiro objectivo é o que se consegue contar de novo, mas também era importante recolher tudo o que está adquirido, tirar partido disso, acrescentar-lhe o pouco conhecido e o novo, de modo a dar uma visão de conjunto."Mais exemplos de algo novo? Pormenores das transacções com a UNITA; de como as guerrilhas recrutavam combatentes à força; de como as facções angolanas sempre se guerrearam entre si; ou de como Mao Tsé Tung perguntou a Savimbi onde é que ele queria fazer a guerra - e depois lhe disse que estava errado: tinha que ser no Leste.Mas no episódio de hoje ainda nem existe UNITA e faltam 10 anos de guerra.

13 de março de 2009

última hora

Em virtude do falecimento do pai da eurodeputada ANA GOMES, esta não poderá estar presente na plestra debate de amanhã no Pátio de Letras.

O evento contará com os demais convidados, o jornalista Rui Costa Pinto e o Dr. Jorge Ferreira. O debate será moderado pelo Dr. José António Barreiros.

3 de março de 2009

"Viajantes, Escritores e Poetas: Retratos do Algarve”

Ciclo de Conferências – em Faro e Vila Real de Santo António


A partir de 13 de Março e prolongando-se até 17 de Julho, realiza-se em Faro (Livraria Pátio de Letras) e no Arquivo Histórico Municipal de Vila Real de Santo António um Ciclo de Conferências sobre o Algarve na literatura, organizado pelo Centro de Estudos Linguísticos e Literários da Universidade do Algarve e pela Câmara Municipal de Vila Real de Santo António / Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela.

Com a coordenação geral do Prof. João Carvalho da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve e da Dr.ª Catarina Oliveira do Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela, este evento trará às duas cidades algarvias vários especialistas das Universidades do Algarve, Nova de Lisboa e Faculdade de Letras de Lisboa, assim como poetas e escritores algarvios: António Rosa Mendes (Abertura: Vila Real de Santo António); José Joaquim Dias Marques; José Carlos Barros; Teresa Rita Lopes; João Carlos Carvalho; Isabel Dias; João David Pinto-Correia; Nuno Júdice; Gastão Cruz; João Minhoto Marques; Carina Infante do Carmo; Ana Alexandra Carvalho; Ana Catarina Ramos; Artur Gonçalves; Emanuel Guerreiro; Maria do Rosário Marinho; Vasco Barbosa Prudêncio; Pedro Ferré (Encerramento: Faro).
Esta iniciativa integra-se nas Comemorações dos 30 Anos da Universidade do Algarve. Mais informações estão disponíveis no site da Universidade do Algarve, no site da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, no blog do Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela e no blog do Pátio de Letras (Faro).


19 de fevereiro de 2009

dois em um no Pátio de Letras


amanhã à noite , 6ª f dia 20

mesmo antes do concerto já previsto para as 22:00, dos AMAR GUITARRA

o premiado poeta AMADEU BAPTISTA, de passagem pelo Sul e de visita ao Pátio,

dirá poemas de sua autoria

Maria Ondina Braga

JANTAR CHINES E OUTROS CONTOS 7, 35 €

NOCTURNO EM MACAU 12,50 €

PASSAGEM DO CABO 12,50 €

A ROSA-DE-JERICÓ 14,70 €

VIDAS VENCIDAS 12,60 €

os preços indicados são do editor, no Pátio de Letras estão agora com com preço de promoção


10 de fevereiro de 2009

Março no Pátio de Letras








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quinta feira 5 de Março, 22:00


João Frade (acordeão), Adriano Alves (baixo) e Paulo Rosa (bateria)
World Music com influência jazística

sexta feira, 6 de Março, 21:30

José Carlos Barros apresenta o novo livro de POESIA de RUI DIAS SIMÃO
Leitura de poemas pelo actor Victor Correia

sábado 7 de Março, 17:00


A VIOLA, PARENTE POBRE DOS INSTURMENTOS DE ARCO
Audição comentada pelo Maestro João Miguel Cunha

quinta-feira, 12 de Março, 17:00

tarde existencialista:
Introdução ao Modelo ACD- Amor/Conhecimento/Divertimento

apresentação por Morcego Sorumbático


sábado 14 de Março, 17:00

UMA TARDE, DOIS LIVROS, TRÊS CONVIDADOS - “Voos secretos da Cia” e “Todo-o terreno”, com Ana Gomes, Rui Costa Pinto e Jorge Ferreira

Quinta feira, 19, 18:00

tertúlia CAFÉ OCEANO, sob o tema "Como considerar o Oceano na cultura Algarvia?"
apresentação por José Carlos Gonçalves Viana (Sociedade de Geografia de Lisboa)


sexta feira, 20 de Março, 21:30

Miguel Godinho apresenta PRIVADO, o novo livro de contos de Fernando Esteves Pinto

sábado 21 de Março, 17:00

A LITERATURA NO ALGARVE, por José Joaquim Dias Marques

Conferência integrada no Ciclo “Viajantes, Escritores e Poetas - Retratos do Algarve”, organizado pela UALG e CMVRA

quinta feira 26 de Março, 22:00

João Frade e Nélson Conceição - acordeonistas em dueto

sexta, 27 de Março, 22:00

Quarteto Fusão_Patio@Bar

Merlo (bateria) MiguelMartins (guitarra) RenatoMadeira (contrabaixo) JoãoCuña (guitarra portuguesa)

sábado, 28 de Março, 17:00

NELLE IMAGINI L’ANIMA - poesia e fotografia de ANTÓNIA POZZI
apresentação da exposição e do livro por Ludovica Pellegatta
leitura de poemas e música ao vivo

(tradução em simultâneo; co-organização: Instituto Italiano de Cultura e UALG)

Domingo 29 de Março, 17h00

NO ANIVERSÁRIO DE CARLOS PORFÍRIO: O FUTURISMO EM FARO

imagem, dança, música e poesia ao vivo
apresentação pelo Arq. Vítor Cantinho

Até 25 de Março no Pátio de Letras:

Cidália de Brito expõe “Tapeçaria contemporânea e… Diálogos metafísicos”


no ESPAÇO DE MEMÓRIA

Exposição: A Guerra Secreta em Portugal (1939-1945)

por José António Barreiros

Fevereiro no Espaço de Memória/Pátio de Letras

sábado dia 7, 17h
“O diário secreto que Salazar não leu”
José António Barreiros à conversa com Rui Araújo

e... às 22h
Tenerife & Faro Konections Band
Miguel Manescau - guitarra, Miguel Martins - baixo eléctrico, João Melro - bateria, Renato Madeira - contrabaixo

sábado dia 14,
17h00"Os dias do amor - um poema para cada dia do Ano"
Fernando Cabrita apresentaç a antologia de POESIA organizada por Inês Ramos; leitura de poemas por Álvaro Faria, Luís Vicente e Vítor Correia